
Saio da sala com a estranha sensação de perda e, ao servir o café, pela segunda vez, perco a conta das gotas de adoçante.Dessa mesa de plástico vermelho ao lado da janela, no mezanino, observo essa gente que passa, que murmura em turbilhão. Minh´alma procura pela minha perda, pela perda que nunca foi minha, porque lá no fundo escuto os gritos abafados da razão a dizer que somente ele perdeu. Luto contra gigantes de mim mesma quando tento acreditar que a estupidez alheia é dos outros, e nada posso fazer além do que já fiz.Sinto os despedaços imaginários quando não entendem o meu convite.E eu que só queria uma companhia inteligente para conversar na hora do almoço, me decepciono, por ele achar que eu disse "me coma", quando na verdade foi "quer almoçar comigo?"...Não me acho bonita, deslumbrante ou qualquer coisa que o valha, mas não posso negar que perco a conta de quantos olhares viris desvio durante o dia, todos os dias. Só não me conformo em ter um convite descartado por impressões errôneas.Todos os dias, com todas as minhas forças, tento acreditar que ainda me pertenço.Às vezes eu queria ser normal, feia e sem sal, para que as pessoas prestassem atenção apenas ao que eu lhes propusesse. Para que ninguém mais perdesse o tempo e a razão com coisas que eu nunca disse, menos ainda com o que eu não quis dizer.
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