27.3.08

Pensamentos sobre a derrota

E ainda nos escritos quase autobiográficos eu me pergunto o motivo do termo "auto-ajuda" adquirir uma conotação tão pejorativa. Por quê o senso comum simplesmente o taxa de coisa ruim, de má qualidade e sem uma base racional sólida? Melhor dizendo, sem me explicar o porquê.

Permita-me divagar um pouco sobre a derrota. De um jeito simples, a derrota é não alcançar o seu objetivo ou ter a sua expectatica e esforços frustrados. Para quê ela serve? Pode-se dizer que para nos ajudar a identificar nossos erros, falhas, deficiências, para apontar a nossa falta de preparo e até mesmo uma incapacidade para lidar com o resultado da nossa vontade inicial.

Contudo, o ponto decisivo se encontra na forma como lidamos com a derrota, uma vez que é o que determinará nossas ações posteriores, transformando-nos em potenciais vitoriosos ou não. Se a derrota que enfrentamos é tomada como definitiva e imutável, automaticamente nos reconhecemos incompetentes e não merecedores do resultado outrora esperado. Perdemos a chance de reparar nossos erros e crescer a partir deles. Por outro lado, quando consideramos que uma derrota se nos apresenta em caráter temporário, temos a oportunidade de assimilar melhor aquilo em que não acertamos e buscar soluções ou condutas mais favoráveis a nossos objetivos em tentativas posteriores.

Não raras vezes, antes de uma nova tentativa, precisamos esperar um certo tempo até prosseguir com nosso intento. É o tempo quem nos traz a serenidade necessária para lidar com o novo contexto, meios e variáveis.

Um vencedor precisa de autoconfiança e autocontrole para agir certo na hora mais apropriada; precisa de experiência, conhecimento e maturidade o bastante para entender que quando o seu objetivo (já delimitado) ainda não foi atingido, isso pode ser uma derrota definitiva ou temporária e essa classificação depende exclusivamente dele.

Pessoalmente falando, prefiro tratar minhas derrotas como se elas só acontecessem temporariamente, porque isso me encoraja a continuar lutando pelas coisas que quero. De todas as vezes que me lembro de ter pensado que determinada derrota foi permanente, tive a impressão de que a minha história voltou algumas casas no jogo da vida. Me senti incapaz de descobrir meus erros para ter a chance de aprender com eles. No lugar de uma evolução, joguei fora as lições e a bagagem para continuar. Me distanciei ainda mais da linha de chegada.

1 comment:

dicionarista-embaçado said...

A linha de chegada é perigosa. O que me vem a mente quando penso em uma é sempre um atleta estafado, caindo por terra.

A visão da corrida é mais bonita, olhares destinados, concentrados. Corpos em seu vigor extremo, quebrando barreiras e limites.
A chegada é consequência.

Acho que a vida será tão mais bonita quão mais longe você conseguir atirar as linhas de chegada... por que antes dela não há perdedores.

(continua escrevendo assim, desse jeito. faraway, so close.)