Formigas que aparecem do nada, em carreiros imensos, atraídas pelo cheiro de comida. Sempre seguindo o primeiro caminho que a primeira da fila desenhou. E se ela "o" fez torto, assim todas as outras "o" fazem.
Há alguns dias, reparei em cima da pia da cozinha um copo de vidro, desses de massa de tomates, que na noite anterior tinha sido ocupado com café; estava com aquele insistente resto de açúcar cristalizado e, adivinhe! Pretinho de formigas! Em uma pasta escura e movediça sobre o fundo.
Com curiosidade de criança, fui enchendo o copo com água aos poucos, de modo que as formigas boiassem vivas. Foi um desespero interessante o das criaturinhas que não afundavam e nem conseguiam chegar à borda devido à tensão superficial. Semelhante ao que acontece aos passageiros de um naufrágio, que, no desespero sobem uns pelas cabeças dos outros para respirar.
Observei por mais algum tempo e elas cansaram, desacelerando o ritmo. Peguei o tubo de detergente de limão e piguei uma gota, o suficiente para vê-las afundar como confetis na noite de carnaval... E no fundo, completamente rígidas.
2 comments:
Que maldade Oo
...
Mas o texto é bom :)
Quem bate?
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