Entre o bocejo, entediada, como a dona, escorria uma lágrima, tímida, pelo canto dos olhos, até desaparecer em algum ponto que se desconhecia, até o infinito. Enquanto a eloqüência do orador a irritava profundamente, enquanto o silêncio seria a melhor coisa do momento a seguir, e por que não a melhor coisa de todos os momentos?
Ouviu tudo, de todos, calada, sem já nem entender os significados, se era "eu te amo" ou "eu te odeio", se era vital ou desprezível, se distraía tanto a ponto de desaprender a própria língua, achando engraçado os sons que saiam da boca das pessoas e percebendo que elas não paravam para respirar nunca, afobados, eles não páram, mesmo quando haveria uma vírgula, que eles sequer saberiam da existência das vírgulas, e isso não se faz.
Cansou-se. Eles cansaram. Depois de terem se despejado, entregado todos os seus pertences (que nem sempre eram valiosos), jogando tudo naquele rosto entediado, sobre aquele copo cansado de ouvir tanta verdade e besteira, tudo junto, sem piedade sequer das vírgulas.
Quiseram dar a vez de falar a ela. Suspirou. Como descrever o processo penoso e desgastante de promover sinais nervosos, sinapses, e movimentar os músculos do rosto, as cordas vocais? Parecia algum monstro mecânico velho, se ruindo para se movimentar. E respondeu num ruído estridente que de longe lembrava uma voz "nada, deixa pra lá..."
Ouviu tudo, de todos, calada, sem já nem entender os significados, se era "eu te amo" ou "eu te odeio", se era vital ou desprezível, se distraía tanto a ponto de desaprender a própria língua, achando engraçado os sons que saiam da boca das pessoas e percebendo que elas não paravam para respirar nunca, afobados, eles não páram, mesmo quando haveria uma vírgula, que eles sequer saberiam da existência das vírgulas, e isso não se faz.
Cansou-se. Eles cansaram. Depois de terem se despejado, entregado todos os seus pertences (que nem sempre eram valiosos), jogando tudo naquele rosto entediado, sobre aquele copo cansado de ouvir tanta verdade e besteira, tudo junto, sem piedade sequer das vírgulas.
Quiseram dar a vez de falar a ela. Suspirou. Como descrever o processo penoso e desgastante de promover sinais nervosos, sinapses, e movimentar os músculos do rosto, as cordas vocais? Parecia algum monstro mecânico velho, se ruindo para se movimentar. E respondeu num ruído estridente que de longe lembrava uma voz "nada, deixa pra lá..."
1 comment:
Pra variar, a minha amiga ainda escreve melhor do q qualquer um q eu conheço....
te adoro amigona!
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