14.4.09

Barulho

Barulho. Barulho para tudo quanto é lado.

Televisão, vozes, tonalidades, carros,

freios - é o barulho do escuro - caminhões,

cochichos, reclamações, comentários.

Aqui eu não me ouço.

Silêncio. É o silêncio ritmado,

pelo vento entrecortado,

com as folhas das árvores e os passarinhos.

É lá onde o meu coração diz que está acordado,

onde a barriga trabalha sozinha, o pé fica escandaloso

e até o maxilar estrala no abrirdaboca.

É o silêncio da vida acontecendo que me encosta as costas na pedra e pergunta quem ou o quê sou.

É no silêncio que eu me pego pelas responsabilidades, me aponto sem piedade.

Quero sumir dessas luzes piscantes, dessas cores apelativas, dessas coisas alucinantes,

alienantes,

ensurdecedoras.

Eu quero sumir.

1 comment:

Thiago Pojda said...

Excelent idea.