Barulho. Barulho para tudo quanto é lado.
Televisão, vozes, tonalidades, carros,
freios - é o barulho do escuro - caminhões,
cochichos, reclamações, comentários.
Aqui eu não me ouço.
Silêncio. É o silêncio ritmado,
pelo vento entrecortado,
com as folhas das árvores e os passarinhos.
É lá onde o meu coração diz que está acordado,
onde a barriga trabalha sozinha, o pé fica escandaloso
e até o maxilar estrala no abrirdaboca.
É o silêncio da vida acontecendo que me encosta as costas na pedra e pergunta quem ou o quê sou.
É no silêncio que eu me pego pelas responsabilidades, me aponto sem piedade.
Quero sumir dessas luzes piscantes, dessas cores apelativas, dessas coisas alucinantes,
alienantes,
ensurdecedoras.
Eu quero sumir.
1 comment:
Excelent idea.
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