19.4.08

Vingança

_Shhhhh. Vem cá. Olha só. Deixeu te mostrá

_Quê foi? Quê cê tem aí?

_Chega mais. Vem aqui de trás, ó. - Puxa do bolso, desembrulha a camisa que cobre o trabuco.

_Quê isso, mermão? Cê tá doido? Onde cê arranjô isso?

_Fala baixo, mané. Num vou te matar, não . Eu sei o queu tô fazendo.

_Quê cê vai fazê com isso, cara? E se te pegam? Cê tá doido?

_Num pegam é nada. Ele num pode fazê o que fez, sem levá de volta, não...

_Qualé, cumpadi, deixa disso, já foi. Faz tempo.

_Já foi, o caralho. Ele vai vê só.

_Sossega, rapaiz. Vai acabá com a sua vida! Joga isso fora, meu!

_Cabá, já cabô faz tempo... Cabô minha paciência, minha cara de palhaço, estourô limite. Quem ele pensa que é?

_Mano, esquece. Tá vacilando. Vai arranjá treta pro teu lado. Num faiz isso, que cê se fode...

_Fudido eu já fui, gora é minha veiz.

_Num acredito que cê vai ter coragem. Cê tá maluco...

_Ele num teve coragem de fazê o que fez? Pois eu faço também. E faço agora!


Saiu de trás do muro, violento, cabreiro, que nem trem. Foi pro meio da rua, gritou o nome dele, mirou, e deu três tiros no céu, na maior nuvem que viu.

1 comment:

dicionarista-embaçado said...

Esse tipo de vingança, com projéteis atirados pra cima...

Fico pensando que é mais ou menos como quando fazemos algo parecido com saliva.