2.9.09
então....
ainda estou sem palavras para expressar o que vi e senti hoje...
hora, uns arrepios....
hora, um sentimento...
uma emoção que não sei descrever ao certo....
lembro ainda quando fomos assistir a camerata, foi mto bom mas não se iguala...
nem se aproxima, rsrsrs.
mais uma vez parabéns, estava tudo lindo, maravilhoso....
foi mto bom ir assistir vc e o CC.bjus e bjus
Ps.: vc estava deslumbrante, linda, maravilhosa...talvez não exatamente nesta ordem...rsrsrs
14.8.09
Em busca do Frankenstein
Conheço gente que se autodenomina colecionadora de pessoas mas não acredito que esse seja realmente uma boa opção pra eu copiar. Na verdade eu queria é poder juntar as boas características que encontro naqueles que eu quero bem de alguma forma.
Ah... já pensou que maravilha seria poder montar o meu príncipe assim como a gente escolhe os acessórios que põe na moto?
Eu escolheria como base para agregar as outras características a altura, o charme e o físico do LR; o bom humor, o não saber disfarçar e até a petulância do SS; o saber dançar, o gosto pelos estudos do LK; as conversas inteligentes e interdisciplinares, o jeito firme e decidido do EB; o beijo do LA; a paciência, os ouvidos e os interesses incomuns do DG; o charme cosmopolita do DQ; o desprendimento e a dedicação do TM; a gentileza, o romantismo e a espera infinita (por mim) do DS; a inteligência do GZ; a "pegada" do RJ, CR, LR; a persistência e o carinho até grudento do CR; a dedicação, preocupação e mente aberta do T; a preocupação do L; o cavalheirismo do LL; a maneira de encarar a vida do FG; a gentileza do MS; as conversas non-sense com o DC; a timidez do A; a perspicácia e o humor inteligente do CC; o companherismo e a amizade do RF e do GB...
Não, agora falando sério... me diga se esse cara existe ???
Conclusão: acho quero um Frankenstein.
2.8.09
Furto honesto
Ei, moço aí de cima... Olha por mim.
Que haja crescimento, compreensão, respeito, amor, amizade, paz e saúde. Que haja na minha vida, e na dos meus também. Não é muito não, né? Dá pra ser?
Que haja felicidade também. Ah, mas que ela não venha de graça não... quero ser merecedora.
Que eu seja mais paciente!
Que eu tenha mais tempo de rir...
Ah, por favor: zela pelo meu sono e pelos meus sonhos. Que eu sonhe colorido todas as noites.
Que no meu caminho, só existam pessoas boas. E que eu possa retribuir em algum momento.
Fazei-me forte. E quando assim não for, fique pertinho pra eu me sentir segura então.
Abençoa minhas escolhas. Abençoa meus pensamentos. Abençoa meu coração. Abençoa minhas palavras.
Ah... ó... ilumina meu caminho sempre. E eu prometo andar pra frente e pro bem. Combinado?
Que eu seja melhor. Melhor filha, melhor irmã, melhor namorada, melhor neta, melhor amiga.
Que eu seja melhor pessoa. Que eu faça o bem e receba o bem.
Que a vida não seja perfeita, mas que encaixe direitinho nos nossos sonhos e aquiete nosso coração.
Amém.
http://andandoaodeusdara.zip.net/arch2005-01-09_2005-01-15.html
22.7.09
2.7.09
Furto honesto
Solidão
A solidão expõe as pessoas como elas são,
nos torna tão humanos, com nossas feridas
mazelas e fraquezas. Somos heróis!
A solidão, tesouro que nos resta,
derradeira tormenta, multidão cinzenta
ofuscada pela poeira da cidade cintilante...
A solidão fedorenta de nossas relações
de eternas partidas, voltas sem idas,
pela estrada infinita, somos nós os fantasmas
A solidão que nos ilumina a loucura
perdida nos subterrâneos higiênicos
sem nenhuma saída. Somos heróis!
A solidão, onírica ferida agonizante
com seu pus derramado na calçada heroína
se alimenta com os ternos abraços fraternais.
Mauro Cassane - http://coreshumanas.zip.net/
15.6.09
"Xingamento em hexâmetro dactílico"
Vê-te o inchado sorriso, quão ímpio te enfuna fealdade,
Olha qual bufa taqueira, que guasca!, te enquadra no feiço,
E diz se ao dizerem com nojo que és feia, não dizem verdade.
Rosto enjoado, de pua estampada dos frangos azedos,
Mãos retalhadas, de ossos malditos, de dedos descrentes,
Foças nasais de embutidos ranheiros causando-nos medos,
És feia, desgraça, confessa ou reparto teus dentes.
(quem escreveu isso foi um tal de Leonardo, numa comunidade do orkut)
9.6.09
Eu quero
É como andar na Rua XV. Eu vejo dezenas, centenas de pessoas.
Pessoas feias, bonitas, altas, baixas, burras, inteligentes, medíocres, geniais, fabulosas, inúteis.
Centenas de rostos, corpos e rótulos passando por mim para...
Para quê? Ignorar e continuar andando, certo?
Porque não há razão para parar.
Porque algumas pessoas sequer valem o tempo perdido de uma conversa.
Eu ando, ando, ando, ando.
Homens, mulheres.
Centenas.
E cada pessoa cansa um pouquinho mais a vista e torna o dia um pouquinho mais pesado e penoso porque é um esforço tão grande ignorá-las.
Aborrece, desgasta, incomoda.
Fingir que algo terrivelmente palpável não existe e não incomoda.
A cada rosto.
Vou me desfazendo na rua.
Centenas.
Cen-te-nas a ignorar.
Estou aos frangalhos.
Estou cansada de gente, das qualidades, dos defeitos, das formas, das características, das estúpidas idiossincrasias, das aparências, dos fundos psicológicos, dos porquês, do que elas têm a dizer, tudo...
Mas eu ainda quero ver uma pessoa.
Só mais uma.
Justo agora que a forma humana é o que me dá mais nojo nessa vida, mas eu quero você.
Eu quero seu corpo, seu gosto, sua voz, eu quero ouvir você falar e falar sobre coisas que nem me interessam, seu beijo, seu toque.
Eu quero.
Por amor, por carinho, por esperança...
Eu quero.
Te espero, cansada.
Mas te espero.
Para o amor apenas...
C a r i n h o s...
9.5.09
Sem lenço, sem documento... (mediocreira)
Vendeu-se a cortina de tranças e argolas e restos de fio. Fez-se festa com bolo de fubá, pipoca e quentão, muito ki-suco vermelho pros bacuris. Vivonéia-sempre-bela, de vestido floreado, uma uva de menina, enamorou-se do Laurecir que morava atrás da Serra-Braba. E então, exatas quatro luas depois, estava decidido: que montado num cavalo, ele atravessaria o crespo mato para oficializar o interesse. Só que não contou com a astúcia do Quim Saravá, que, do alto do portão, escondido, saltou de capa preta, zurrando feito o quê na frente da montaria. O bicho apavorado deu pinote que jogou o pobre Laurecir de cabeça numa pedra. E lá ficou desmaiado.
Dá-lhe reza forte pro mancebo acordar. Ordenaram até que as mulheres fizessem xixi na latinha pra lhe jogar na cara e nada. Sete minutos depois de três horas e meia de aflição ele abre o olho esquerdo, atirado numa sala esquizita com teto de madeira pintada em forma de estrela.
O relógio parou, o sino badalou, o Cramunhão sentou na cadeira de balanço que Berta desocupou para ver a chaleira na cozinha e Verselêncio, branco que nem farinha de rosca, entrou pela janela, garantindo a volta de uma espera que nem existia mais.
Furto honesto de post muuuito antigo... hehehe
Deus, poupe-me também dos olhares tristonhos das empregadas que contemplam a cidade apoiadas nas sacadas dos prédios.
Tira, por favor, de todos os asilos, os adesivos do Ecco Salva afixados nas paredes.
Que as vastas platéias de cinema sejam ocupadas sempre por uma única pessoa, e que na saída do filme chova invariavelmente.
Bota fim, Deus, a esse constrangimento injustificado que faz com que as pessoas desistam de foder e dar abraços, mesmo quando elas sabem que isto seria necessário.
Convence a todos da impossibilidade do amor, e observa enquanto descobrem o amor como a única possibilidade.
Quanto aos pecados capitais, peço que tornes a Gula compatível com a Vaidade, a Preguiça compatível com a Avareza, a Ira compatível com a Inveja, e que a Luxúria soterre as anteriores.
Acabe com a Aids, Deus.
Que todos tenham plena consciência de que vão morrer definitivamente, e que na hora da morte não possam evitar um breve sorriso de desobediência infantil.
E conserva os dentes dentro de nossas bocas, para que apodreçam conosco.
Que persista no tempo apenas aquilo que fomos capazes de criar.
Peço que amanhã de manhã, Deus, eu seja acordado com o peso familiar de um certo corpo em cima do meu.
Que o sol invada minha barraca brando, resignado.
Então será o ano 2000, mas não fará diferença.
(Daniel Galera)
1.5.09
Decreto
nego qualquer parcela de tempo
A partir de hoje
sou eterna
A partir de hoje
nego qualquer parcela de finito
A partir de hoje
sou o infinito
29.4.09
EU
Sou eu quem alcança a imortalidade na própria morte
Pois é meu espírito quem a derrota
Eu conheço tanto quanto meu conhecimento me permite
Eu conheço tanto quanto minha capacidade de conhecer está desenvolvida
Por isso mesmo o meu infinito é limitado pela finitude desenvolvida em minhas capacidades
Por isso mesmo tenho apenas uma noção analógica e imperfeita do que é o ser.
A dualidade é uma ilusão. Por isso, devo evitar o mal e praticar o bem. Luz e trevas não se confundem, tal qual a sabedoria e a ignorância.
25.4.09
Acrilic on Canvas
E mais uma vez
De você fiz o desenho mais perfeito que se fez
Os traços copiei do que não aconteceu
As cores que escolhi entre as tintas que inventei
Misturei com a promessa que nós dois nunca fizemos
De um dia sermos três
Trabalhei você em luz e sombra
E era sempre,
Não foi por mal
Eu juro que nunca quis deixar você tão triste
Sempre as mesmas desculpas
E desculpas nem sempre são sinceras
Quase nunca são
Preparei a minha tela
Com pedaços de lençóis que não chegamos a sujar
A armação fiz com madeira
Da janela do seu quarto
Do portão da sua casa
Fiz paleta e cavalete
E com lágrimas que não brincaram com você
Destilei óleo de linhaça
Da sua cama arranquei pedaços
Que talhei em estiletes de tamanhos diferentes
E fiz, então, pincéis com seus cabelos
Fiz carvão do baton que roubei de você
E com ele marquei dois pontos de fuga
E rabisquei meu horizonte
E era sempre,
Não foi por mal
Eu juro que não foi por mal
Eu não queria machucar você
Prometo que isso nunca vai acontecer mais uma vez
E era sempre, sempre o mesmo novamente
A mesma traição
Às vezes é difícil esquecer:
"Sinto muito, ela não mora mais aqui"
Mas então, por que eu finjo
Que acredito no que invento?
Nada disso aconteceu assim
Não foi desse jeito
Ninguém sofreu
É só você que me provoca essa saudade vazia
Tentando pintar essas flores com o nome
De "amor-perfeito"
E "não-te-esqueças-de-mim"
Legião Urbana
Composição: Dado Villa-Lobos / Renato Russo / Renato Rocha / Marcelo Bonfá
22.4.09
Enquanto isso... no lustre do castelo...
Tudo bem? O que anda fazendo tanto? Eu não anda fazendo muita coisa, um tédio que só.... Senti a sua falta no MSN...Aí esses dias eu sonhei com a senhorita... Normalmente isso não acontece, pra eu sonhar com alguém eu preciso conhecer bastante, ou pelo menos alguma atividade "ao vivo"... Nunca tinha acontecido de sonhar com alguém que eu só conheça virtualmente... Também não fez sentido porque foi um sonho "freudiano" sem pé nem cabeça, tipo aquele vídeo de "O Chamado", e via de regra os meus sonhos têm começo meio e fim (fora os sonhos em episódios, que eu sonho num dia e ele continua no outro, auhauhauha). Mas enfim...Eu estava na Praça da Espanha... Na feira de antiguidades... O céu era rosa.
Você estava cantando no palco da praça. Eu fui até a barraca do homem que vende relógios. Mas não era o homem que sempre está lá na praça, era uma amiga minha que todo mundo achava que deveríamos ficar juntos.... Escolhi um modelo antigo, à corda, de bolso. Perguntei quanto custava. Ela disse que não custava nada porque o relógio já era meu. Aí você apareceu atrás de mim e disse que eu não podia ficar com o relógio porque eu já tivera tempo suficiente. Aí quando eu olhei pra você, você estava grávida (!!!). Aí começou a ventar e tudo se desintegrou como se fosse areia, menos você. Você me encarou por uns 10 segundos, pôs as mãos nos bolsos de um casaco de cor escura e virou-se pra ir embora. E nisso eu acordei.
Então... Imagine o estado de desorientação que eu acordei depois disso, auhauhauhauhauha... os meus sonhos normalmente fazem algum sentido, têm ordem, e em boa parte deles eu sonho em terceira pessoa (me vendo no sonho)... Nesse foi tudo em primeira pessoa. Apesar de parecer curto, o conteúdo psicanalítico é gigantesco, auhauhauhahua... a parte de tudo virar areia não me espanta, pois boa parte dos meus sonhos tem efeitos especiais dignos do Spielberg...
Agora eu PRECISO te ouvir cantando pra ver se a voz que eu "ouvi" no sonho era a sua mesmo... Pior é que se realmente for, vou ficar ainda mais assustado, auhauhauhahu...
Beijo,
21.4.09
SE CASUALMENTE VOCÊ ENCONTRAR.... - Furto Honesto
...seu carinho predileto perdido, guarde-o bem. De preferência amarrado no chaveiro de casa. Pode ser no do carro, mas não aconselho. Primeiro, porque as chaves do carro também se perdem fácil, somem de vista. Desaparecem. É estranho, mas a maldade do ser inanimado é inata. Segundo, porque ao entrar em casa e fechar a porta, faça imediatamente o uso, para que não fique gasto.
E quem perde sabe o carinho que quer encontrar. Pode ser um abraço, um colo. Alguns perdem a xícara, o que é pior. Se acontece, ficam dias sem chá de chá, sem chá de pernas. Sem chá amargo, mas prioritário de se engolir. Ficam com a garganta seca e mãos trêmulas. Acham que é falta de café. E lá tomam todo o café. Acham que é cigarro. E lá mastigam todos os cigarros. Mas tudo é indigesto, menos a xícara. Perdão, o chá. Certo é, que sem o que faça beber, não tem acordo.
O gosto é de cada um, mas todos tomam iguais. Quase. Uns engolem mais rápido, outros babam. Mas é sempre igual. Mas nem sempre é bem servido. Também nem sempre bem adoçado. Se for adoçante, o provador sempre descobre, se ele é formiga de migalhas de açúcar. Para tanto, tem de ser quente. Muito quente. De queimar a língua e ferver a ponta dos dedos.
E se sensível for este carinho, será mais bem recebido às tapas. Quanto mais violento, mais louça se tem que lavar - e algumas vezes cansa lavar a mesma xícara com água de banheira e sabão de sofá. Sem falar que não se pode secar com lençóis, se um se veste dele. Talvez um outro, mas em segredo.
Não há muita classe em pousar o deguste sobre a mesa para bater papo. Se fosse chá das 17h não estaria sendo tomado às 3h da manhã no jardim com estacionamento particular. Mesmo que lá, com tantas almofadas e cortinas se pareça um lugar calmo para conversar, não é. Onde já se viu economizar esforços para desarrumar a cama? Onde já se viu preliminar em puxar a cadeira para se sentar a dois, um em cada uma?
Bem, talvez se as chaves do carro, e ele mesmo, entrassem na estória, tudo seria contado diferente. Exceto pela falta em servir-se bem em um local apropriado para ser tomado. Ou domado? Por isso escolho chaves de casa. Chego e me deito. Chamo e pergunto. Tiro a roupa e vou ao banheiro. Sirvo o brinde e apago a luz. Ligo a luz. Apago. Não tem ninguém aqui com roupa. A orelha vira boca para falar comigo. E ter que não ouvir é uma dádiva. A não ser outros pedidos. Viro-me e não durmo. Faço sala para quem dorme. Sirvo meu braço de travesseiro.
Pode esperar o chá da manhã, na cama, quem casualmente já encontrou e fez predileto.
Por SuicideNotePt2
http://sabedoriadamentira.blogger.com.br/
20.4.09
Momentos a sós

Crer
Para a outra metade, deixe como zona de livre trânsito do eu-lírico.
14.4.09
Barulho
Barulho. Barulho para tudo quanto é lado.
Televisão, vozes, tonalidades, carros,
freios - é o barulho do escuro - caminhões,
cochichos, reclamações, comentários.
Aqui eu não me ouço.
Silêncio. É o silêncio ritmado,
pelo vento entrecortado,
com as folhas das árvores e os passarinhos.
É lá onde o meu coração diz que está acordado,
onde a barriga trabalha sozinha, o pé fica escandaloso
e até o maxilar estrala no abrirdaboca.
É o silêncio da vida acontecendo que me encosta as costas na pedra e pergunta quem ou o quê sou.
É no silêncio que eu me pego pelas responsabilidades, me aponto sem piedade.
Quero sumir dessas luzes piscantes, dessas cores apelativas, dessas coisas alucinantes,
alienantes,
ensurdecedoras.
Eu quero sumir.
11.4.09
A guerra dos pijamas
Foi assim que se eu tivesse assistido a mensagem no dia anterior eu teria chorado porque hoje eu não vi o meu casaco de plush ali. O casaco e a minha calça de moletom velha, porque eu não uso pijama. E acreditam que a minha gaveta está cheia deles.
A blusa velha pega cheiro de entrar e esperar porque não sabe o que fazer nem falar, só bloqueia todos os outros pijamas e altera frases, chamadas e sentidos para que o único fio perdido na meada embolada se prenda na manga, enquanto um se perde em ataques de alterego, outro em considerações fracas, outro em falsas críticas, outro em ilusões românticas, outro em dores infinitas e incuráveis.
Porque eu não sei atacar com veemência e muito menos aceitar que alguma coisa já esteja boa assim de fazer boiar olhos em letras. E já estou cansada dos porquês. Quando a vida é boa, os pássaros voam e o mundo gira sem ficar tonto. Sem esquecer das bobagens derramadas, proferidas, atiradas-escritas e faladas, que tem muito sentido e ninguém nota, não entende, despreza ou acha pouco, fraco, fraco, fraco e bobo. Mal resolvido. Pobre. Nada cabe e a divisão é excessiva, acham que é proposital.
Fecho as portas, gavetas e janelas pra ninguém fugir, entrar, se aproximar, cativar e respirar meu ar. AR. Voa e é entregue com cuidado pra não ser ouvido sem um pouco de esforço ao mesmo tempo que o mundo se choca e nada faz pra menos gente morrer.
Coincidência? Ou não...
10.4.09
Na fronteira entre Vincent Price e Vincent Malloy
Talvez você tenha se assustado um pouco com o meu comportamento ou, quem sabe não tenha gostado mesmo. Espero sinceramente que tenha sido a primeira opção.
Deve ser muito estranho encontrar uma pessoa que sem mais nem menos topa viajar com você tendo lhe conhecido há pouco mais de uma semana, que aceita sair contigo em horários absurdos e que faz sexo sem proteção na primeira oportunidade que vocês têm de ficar a sós. Você deve estar pensando “mas que criatura mais sem noção essa, hein?!” ou ainda (nas suas próprias palavras...) “a vida é mesmo uma coisinha”. Sim, deve ser tudo muito incomum uma vez que você também pouco sabe sobre mim, minha história, meu passado e meu improvável futuro.
Pois bem. Praticamente toda a minha vida, tentei ser a garota perfeita. A que tirava boas notas na escola, que estudava para as provas muito antes da véspera, que nunca colava ou passava cola. Que adorava comer verduras. Sempre levei as pessoas muito à sério, inclusive a mim mesma. Sempre cumpri com as minhas obrigações e sempre fui muito responsável em qualquer coisa que assumisse. Eu teria sim um futuro brilhante como juíza ou professora, provavelmente muito bem casada, com filhos lindos e perfeitos, morando todos juntos numa casa com jardim. Nunca me esqueço da cena em que, aos 16 anos eu fui conversar com meu pai e lhe pedir autorização para ter meu primeiro namorado. Também inesquecível foi terminar um namoro, aos 21 anos, com um cara que não conseguia acreditar no fato de que eu ainda era virgem com aquela idade. Uma virgem que sabia beijar e agarrar muito bem a ponto de deixar o cara completamente doido, modéstia à parte. Sempre cuidei da minha vida de maneira bastante regrada, séria e responsável... Conheço muito bem o meu corpo e tenho um controle quase absurdo sobre minhas reações fisiológicas. Algumas pessoas talvez até me achem a criatura mais chata da face da terra, sempre previsível e certinha. Pena que para mandar nos sentimentos, eu não tenha o mesmo nível de controle.
Mas teve aquele dia em que, ao fazer um check-up de rotina, o médico constatou algo estranho em meus exames. Ainda que eu não fizesse nada de extraordinário e me alimentasse muito bem, uma anemia muito forte era denunciada pelo meu sangue. - Como assim poderia ter algo de errado no meu sangue? No meu sangue A- de doadora assídua do hemobanco? - Suplementos alimentares, ferro e vitaminas, mais regras seguidas à risca e, algum tempo depois, o diagnóstico definitivo: câncer. Optei por tentar a cura com tratamentos não convencionais porque já perdi três amigos para essa doença. Não quero passar por todo o sofrimento que eles tiveram com a medicina tradicional, com a quimio. Somente faço um acompanhamento com meu médico para saber como está o meu quadro. Ele diz que eu tenho entre seis e dez meses de vida (margem generosa, não?!), apenas. Apenas. Eu poderia extender e até extinguir esse prazo (embora não acredite nisso) se fizesse o tratamento que ele indica. Só que eu não quero. Acho que já me basta ter visto a trajetória cruel que essa doença adotou com meus amigos. Não quero definhar como eles, sofrer como se um bicho vivo me comesse por dentro. Sabe, eu posso não estar aqui na virada para o ano que vem, no teu aniversário ou no próximo carnaval.
Gostaria de dizer que você é muito especial para mim. Porque foi uma das primeiras pessoas que eu resolvi paquerar que me corresponderam. Eu tenho muitos pretendentes conquistados porque os ignorei completamente. Isso não faz o menor sentido para mim: ignorar alguém para conquistá-lo. Sempre achei que dizer a verdade sobre qualquer sentimento seria o melhor caminho. Talvez a minha sinceridade em dizer “não quero nada com vocês” é que, justamente, os tenha conquistado. Mas com você é diferente. Você me correspondeu no início e agora, parece ter perdido o interesse. O que me magoa é o fato de você não dizer isso às claras. Termos conversas maravilhosas e você não dizer que não quer nada comigo. Você seria tão mais “homem de verdade” se agisse assim. Teria todo o meu respeito pelo resto da vida. Da minha curta vida.
Uma vez contei à você que tenho a sede grande. Uma vontade de Viver (sim, com letra maiúscula) a vida intensamente. Hoje sei que não morrerei de velha como eu tanto queria, que não vou “levar meus netos para saltar de pára-quedas” e que meu relógio biológico funciona em contagem regressiva para o gran finale.
Hoje, uma das coisas que mais me faria feliz seria ter você como companhia para assistir aquela apresentação que te convidei. Pena que você é um frouxo e permitiu que eu criasse expectativas a seu respeito quando aceitou o meu convite para, logo na hora de sair de casa, você “me dar os canos”. Sim, projetei em você a grande e derradeira paixão à primeira vista da minha vida e me sinto infinitamente magoada nesse exato momento.
Saiba que o teu não seria o primeiro fora que levo de alguém. Com outras duas pessoas com quem resolvi “tomar a iniciativa” e que me corresponderam não foi possível continuar o relacionamento porque uma das partes se desinteressou da outra. Contudo, todos os outros que terminaram em um fora, cumpriram com seu papel de homem maduro e decente e me disseram um “me desculpe, mas não estou a fim de você” com todas as letras. Pode parecer coisa rara, mas eu tive essa sorte conquistada porque eu sempre agi de maneira sincera com os meus sentimentos, sem dizer meias verdades ou criar falsas esperanças.
Tem um texto do Rubem Braga que diz que a mulher esperando homem leva um papo com o diabo. E é nessas horas em que eu rezo para que você me dê um fora com todas as palavras necessárias se você realmente não quer nada comigo. Que droga! Que merda! Que grande porcaria! Eu quero você e você já sabe disso. Eu estou muito a fim sim e isso não me envergonha nem um pouco porque não vejo mal algum nisso. Mas, pelo visto, você não dá a mínima.
Quer saber o que me deixa fula também? Sinto que já perdi quase dois meses esperando engrenar um relacionamento fugaz, porém decente com você. Pra quem tem a vida toda pela frente, isso pode não ser nada. Mas para mim é. É muita coisa. Você é capaz de entender pelo menos essa urgência?
Então, minha adorada criatura, eu quero você aqui comigo agora. Quero muito. Mas por favor, saia de cima desse muro. Assuma de uma vez um dos lados. Converse comigo de maneira sincera e clara. Só me dê esperanças se me quiser. Eu só vou acreditar verdadeiramente nisso quando você estiver aqui, segurando as minhas mãos e me tirando o fôlego com teu beijo. Ou então, me diga, sem medo nem remorso. E eu também só vou acreditar em você, te respeitar infinitamente se você me der um fora. Doerá sim, mas muito menos no que dói agora. Eu não tenho medo de sofrer. O que é um sofrimentozinho a mais pra quem tem a certeza de que a morte chega à galope?
Eu valorizo demais as palavras ditas e escritas, confesso e reconheço esse defeito. Ainda mais porque, normalmente, não sou de falar muito, assim como a porção de você que conheci.
Depois disso, não ouse dizer que não tenho respeito pela minha vida. Que eu tenho me arriscado demais ultimamente. Você, talvez não saiba o que é isso. Eu quero viver, intensamente. Não tenho mais nada, além do tempo, a perder. Quero experimentar um pouco de tudo. Só que no meu estágio, sei que serei muito mais breve do que a maior parte das outras pessoas.
Me diga, por favor, que não perdi meu precioso tempo com você. Não quero você comigo por piedade, mas se não posso tê-lo, de momento, então não quero mais nada e muito obrigada por tudo o que vivi contigo. Prefiro me recolher em casa, deitar na rede, com as luzes apagadas e deixar que o ambiente se inunde com o som do meu coração e do sangue que ainda correrá quente pelo meu corpo.
7.4.09
PENSAMENTOS VETORIAIS - furto honesto

Não, ele não te escreveu. Sério mesmo que você esperava que isso acontecesse? Que ingenuidade a sua. Talvez, ele nem saiba escrever ou se sabe deve ser daqueles que mal conseguem passar de orações simples. Sei que você ficaria satisfeita se ele se manifestasse mesmo que fosse em fórmulas que você esqueceu como interpreta. Sei também que você desejaria saber que tipo de movimento ele ou você estão tendo. Acelerado ou retardado, para que lado esses vetores vão te levar.
4.4.09
Furto honesto
Quanto mais sofisticado o restaurante, menor a porção da sobremesa. Aí a vontade que dá é de passar numa loja de conveniência, comprar um litro de sorvete bem cremoso e saborear em casa com direito a repetir quantas vezes a gente quiser, sem pensar em calorias, boas maneiras ou moderação.
O sorvete é só um exemplo do que tem sido nosso cotidiano. A vida anda cheia de meias porções, de prazeres meia-boca, de aventuras pela metade. A gente sai pra jantar, mas come pouco. Vai à festa de casamento, mas resiste aos bombons. Conquista a chamada liberdade sexual, mas tem que fingir que é difícil (a imensa maioria das mulheres continua com pavor de ser rotulada de 'fácil').
Adora tomar um banho demorado, mas se contém pra não desperdiçar os recursos do planeta.Quer beijar aquele cara mais novo, mas tem medo de fazer papel ridículo. Tem vontade de ficar em casa vendo um DVD, esparramada no sofá, mas se obriga a ir malhar. E por aí vai.
Tantos deveres, tanta preocupação em 'acertar', tanto empenho em passar na vida sem pegar recuperação... Aí a vida vai ficando sem tempero, politicamente correta e existencialmente sem-graça, enquanto a gente vai ficando melancolicamente sem vontade...
Às vezes dá vontade de fazer tudo 'errado': deixar de lado as regras, a balança e os 10 mandamentos.Ser ridícula, inadequada, incoerente e não estar nem aí pro que dizem e o que pensam a nosso respeito. Recusar prazeres incompletos e meias porções. Até Santo Agostinho, que foi santo, uma vez se rebelou e disse uma frase mais ou menos assim: 'Deus, dai-me continência e castidade, mas não agora'...
Nós, que não aspiramos à santidade e estamos aqui de passagem, podemos (devemos) desejar várias bolas de sorvete, bombons de muitos sabores, vários beijos bem dados, a água batendo sem pressa no corpo, o coração saciado.
Um dia a gente cria juízo. Um dia! Não tem que ser agora.
Por isso, garçom, por favor, me traga: cinco bolas de sorvete de chocolate, um sofá pra eu ver 10 episódios do 'One Tree Hill, uma caixa de trufas bem macias e o Cauã Reymond embrulhado pra presente. OK? Não necessariamente nessa ordem. Depois a gente vê como é que faz pra consertar o estrago."
LEILA FERREIRA
Ps.: Eu trocaria o "one tree hill" pela trilogia Bourne e o Cauã Reymond por um certo outro moço que "estava lá naquele dia"... hahahaha!
27.3.09
Furto honesto
Naquele momento em que a palavra se faz duas é que a frase o sentido perde. E as palavras ditas, com verdades intensas, de formas constritas, nas paisagens agouras, transformam o sentido. Do exato e mesmo jeito.
Pois seria mais fácil se vivêssemos imunes às palavras. Como o verde que, sem água, sobrevive. Como a corda, intocada, que produz som. Como a morte que nunca fora anunciada. Pelo que faz a morte ser o que é, é o seu conhecimento.
Porque eu sempre espero a carta que não chega. A campainha que não tirintala. O telefone que não toca. E o não e o sim que não ouço. Porque eu sempre espero as flores que não vêm.
Mas isso tudo são cheiros, e as palavras não se cheiram. Nunca se cheiram as palavras. As Palavras. Talvez eu preferisse viver de palavrórios, um sonâmbulo do palavreado, mudo à palavrões.
pré-conceituado por Gaudz :::
http://teoriadoconceito.blogger.com.br/2004_06_01_archive.html
22.3.09
Crueldade

19.3.09
e mais um... furto honesto

10.3.09
furto honesto
A idiotice é vital para a felicidade.
Gente chata essa que quer ser séria, profunda e visceral sempre. Putz! A vida já é um caos, por que fazermos dela, ainda por cima, um tratado?
Deixe a seriedade para as horas em que ela é inevitável: mortes, separações, dores e afins. No dia-a-dia, pelo amor de Deus, seja idiota!Ria dos próprios defeitos. E de quem acha defeitos em você. Ignore o que o boçal do seu chefe disse. Pense assim: quem tem que carregar aquela cara feia, todos os dias, inseparavelmente, é ele. Pobre dele.Milhares de casamentos acabaram-se não pela falta de amor, dinheiro, sexo, sincronia, mas pela ausência de idiotice. Trate seu amor como seu melhor amigo, e pronto. Quem disse que é bom dividirmos a vida com alguém que tem conselho pra tudo, soluções sensatas, mas não consegue rir quando tropeça? hahahahahahahahaha...
Alguém que sabe resolver uma crise familiar, mas não tem a menor idéia de como preencher as horas livres de um fim de semana? Quanto tempo faz que você não vai ao cinema?É bem comum gente que fica perdida quando se acabam os problemas. E daí, o que elas farão se já não têm por que se desesperar? Desaprenderam a brincar. Eu não quero alguém assim comigo. Você quer? Espero que não.Tudo que é mais difícil é mais gostoso, mas... a realidade já é dura; piora se for densa. Dura, densa, e bem ruim. Brincar é legal. Entendeu? Esqueça o que te falaram sobre ser adulto, tudo aquilo de não brincar com comida, não falar besteira, não ser imaturo, não chorar, não andardescalço, não tomar chuva. Pule corda! Adultos podem (e devem) contar piadas, passear no parque, rir alto e lamber a tampa do iogurte.Ser adulto não é perder os prazeres da vida - e esse é o único "não" realmente aceitável. Teste a teoria. Uma semaninha, para começar.
Veja e sinta as coisas comose elas fossem o que realmente são: passageiras. Acorde de manhã e decida entre duas coisas: ficar de mau humor etransmitir isso adiante ou sorrir...Bom mesmo é ter problema na cabeça, sorriso na boca e paz no coração! Aliás, entregue os problemas nas mãos de Deus e que tal um cafezinho gostoso agora?"A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso cante, chore, dance e viva intensamente antes que a cortina se feche"
Ailin Aleixo
(Valeu, Tem2!)
8.3.09
Humanidade
Se tem coisa que eu preciso é indentificação.
Se tem coisa que me intriga é ela.
Se tem coisa que eu amo é Ele.
Se tem coisa que eu dispenso... Ah, se tem, tem aos montes!
Se tem coisa que eu respeito é evolução.
Se tem coisa que eu não absorvo é a dificuldade das pessoas, ora, se pra mim é tão simples.
Se tem coisa que eu não entendo, é porque eu não faço questão de entender.
Se tem coisa que me apaixona é o processo de dominar as coisas (e as pessoas).
Se tem coisa mais gostosa que a ganância, é a luxúria.
Se tem coisa mais intrínseca, é a preguiça.
Se tem coisa mais sem graça, é a vingança.
Se tem coisa mais chata, é a falta de humor negro nas pessoas.
Já disse que se tem coisa que me enoja é a demagogia?
Se tem coisa mais artificial, é a perfeição de caráter.
Se tem coisa mais verdadeira, são os pecados, os instintos, as vontades, a santíssima trindade.
Se tem coisa mais certa, é o ato falho.
Se tem coisa mais boba, sou eu, mas eu sei, e dou risada.
Se tem coisa que se fala, é falada, é que aqui ninguém dorme nessa casa sem atentar contra os bons costumes e a boa moral.
Se tem coisa que eu sou, é ser ruim, sou tão ruim, tão ruim, tão ruim que sou extremamente boa nisso e até reconhecem meu esforço e meu mérito.
Se tem coisa que me diverte, é a ironia.
Se tem vício que eu não largo, é a crueldade sadia.
Se tem coisa que eu gosto, é quando não acreditam no que eu falo, quando desconfiam e suspeitam de mim, até mesmo quando eu falo a maior das verdades.
Se tem coisa mais engraçada, sou eu falando a verdade.
3.3.09
Hoje é dia de furto honesto
...um episódio cheio de significado - e coisas estranhas de entender - com uma garota que eu queria impressionar e mostrar uma infinita personalidade. Mas me ocorria que qualquer coisa nesse sentido era dar-lhe a oportunidade para se aproximar e isso eu não admitia - não me ocorria bem a idéia de ser alcançado.
E por obra da não-coincidência, o estojo de colégio dela ficou comigo e eu sabia que, antes de qualquer dia de aula, cedo ou tarde, ela iria buscá-lo. Não tenha dúvidas: assim aconteceu.
Incrível é lembrar que eu sabia da intenção dela. A de só querer estar por perto pra sentir o cheiro diferente de uma pessoa diferente; de estar próxima pra saber e conhecer o que ela mesma queria. E não me sinto iludido na consciência de adulto para traduzir minha sensação de menino. Me lembro perfeitamente do perfume, do quarto, do estojo o do desenho torto que nele fiz.
Se por um lado eu sabia que nada viera nas minhas mãos por acaso, sabia que nada poderia ir sem a minha marca ou sem alguma coisa que de mim fosse natural lembrar. E na atitude mais inédita para minha espontaneidade, só pude gravar naquele estojo velho, confuso no verde escuro e na sujeira, uma palavra de significado errado para todas as outras pessoas.
Fiz a arte com um cuidado perfeito, mas hoje me recordo da imagem e a vejo torta, fora dos parâmetros impressionantes que eu queria.
Alguém a levou para buscar o prêmio. E eu me servi a pior maneira possível: distante, altivo; e no momento da entrega, extremamente envergonhado... puramente envergonhado da minha falta de originalidade. Naquele momento eu era um ser pueril e me lembro perfeitamente de olhar para o feito e não para a garota. Perguntei se ela havia se incomodado, mas numa negativa justa e sem mérito disse que não. Que havia gostado, concluiu - mas foi conclusão sem dedicação.
Certamente ela esperava mais, ou menos, ou alguma coisa diferente de um desenho. Mas, se naquele momento eu a beijasse, a encheria de pó até a alma.
Pensando bem, acho que eu nem era mesmo capaz desse impropério. É difícil ser quem eu sou. E hoje sei que qualquer que fosse a minha biltre atitude ela não seria como a de agora imaginada, entretando, me sinto impregnado na verdade daquilo tudo.
Desde o desenho, que em mim ficou como um apelido; desde a saída rápida dela pela porta, pela sala, até lá fora; se um dia eu puder dedicar uma memória àquele momento, será uma fotografia empoeirada dela na cama, com uma blusa branca linda, olhando alguém que estava impressionado por si mesmo.
Autor: Clayton
http://sabedoriadamentira.blogger.com.br/#
2.3.09
Re-conhecer
Ela se desfaz.
Ela se perde.
Entre lágrimas, fios de cabelo.
Derruba sentimentos no chão, tropeça neles, perde o passo, perde os dentes, perde sangue, arranha a pele, machuca as carnes, mata amores, se mata, aos poucos, em passos, perdendo dentes, se perdendo, se desfaz, morre viva, viva, morre.
Se apaixona, ama, faz amor, e não sexo, dá as mãos e não abraça, beija mas sem língua, puta mas não devassa.
Homens que sabem do mundo, que de repente...
Mágico, quase afável, como aqueles homens rústicos, que não tinham medo de nada, que sequer a olham como mulher, porque eles têm cabelos brancos e rugas na cara.
Ama mulheres e sua doçura, inexplicavelmente, por querer ser como elas, ser mulher e amar os homens, fielmente, porque quis, o mundo, ela que nem sabe quem ela é, ela que nem gosta do mundo, que nem sabe bem porquê, mas se pinta todo o dia e é bonita, sem querer.
Ela que só reconhece, de longe, e que não vê nada pela primeira vez, e fica feliz quando descobre gente feita como ela, sorri, sente o coração selvagem, voltando a bater, voltando a viver, morrendo para amar, e pensa que talvez o mundo imundo pode ser limpo, e o desnudo, vestido e se não for, a gente finge, brinca e faz um de mentirinha, inventa, deixa pra lá.
E apenas os garotos mais bobos gostam dela.
Porque ela já desistiu, desviveu, desvaliu, de-existiu, caiu, em pedaços, em cacos, de vidro, ou de plástico, de corações, de gente, de gozo, de choro, de gente contente, gente chateada.
Ela, que viva morre, morta-viva, enterrada antes de nascer, decadente sem subir, bêbada sem beber, pedinte mas não ladra, carente mas não fraca.
E ela pede, pede, pede, pede...
Mas ninguém entende, ninguém vê, ninquém quer.
Porque ela não existe até que você a ame.
27.2.09
Furto honesto...
Quando o suicídio lhe pareceu menos exato, postou-se de joelhos à frente de um mendigo e lhe sussurou uma palavra de amor qualquer, lhe entregando as chaves da casa. Que ficava em frete a praça central, rodeada de um imenso jardim coberto de pétalas de rosas mortas. Morte, que era o que restava às aranhas que sustentavam, com suas teias, as janelas e paredes daquilo tudo que um dia ele construiu e sonhou em deixar para os filhos que nunca ia ter.
Por certo - pensou - eu hei de ter um fim digno de minha existência, mesmo que me faltem páginas nos jornais ou quem me jogue terra por cima. E as vozes, que já eram muitas, brindaram quando ele embarcou naquele ônibus com destino ao porto. O senhor há de ter uma morte dolorosa numa noite muito fria, e eu vou achar seu corpo, dois dias depois, coberto de lixo, quando for procurar a refeição de meus irmãos.
Não pôde ver a morte, nem a certeza, nem a exatidão no brilho dos olhos do menino. Só a sua convicção contrastada com um olhar de quem não vê o que fala, nem fala o que sente. É aqui, é aqui que o senhor vai morrer. Mas não se preocupe, quase ninguém vai ver o senhor chorar em desespero. O homem se abaixou e tocou com a palma da mão aquela que seria a sua mortalha, uma linda rua de pedras adormecidas. Um resumo de sua vida. Os amores nasciam mortos, mesmo que não lhe faltassem avisos.
pré-conceituado por Gaudz
http://teoriadoconceito.blogger.com.br/2004_07_01_archive.html
25.2.09
Jogo sujo...
Justo na hora em que mais desejo
elas vaporizam-se pela atmosfera
grudando na pele
riem do meu desespero em absorvê-las
em transformá-las
Quando espalhadas pelo chão, rolam para baixo dos móveis,
onde não consigo alcançar, tento, me e s t i c o,
e até espirro,
e nada.
Nessa hora desce a nuvem
que pesa sob as pálpebras,
resistentes, agarradas às sombrancelhas
respingando sobre os olhos
nada faço, porque estão embaralhadas
Só sinto. Só sei.
E elas dizem, caprichosas, que não há explicação.
Só que não contam com a minha teimosia:
hei de desvendá-las a termos compreensíveis.
11.2.09
Fiquei bem feliz que vc foi no meu niver, mas algumas coisas muito tristes aconteceram no decorrer da festa. Vou explicar melhor;
Primeiramente aconteceu uma tragédia com três convidados meus... (ou da minha mãe). São eles o Tijolão, Tijonildo e o mais novo dos três que era o Tijolin Jr. Não sei porque mas eles foram atropelados por vc no inicio da festa... isso foi muito triste... e para reparar este pequeno contratempo vc vai ter que disponibilizar um pouco do seu precioso tempo comigo. Isto pode ser feito na forma de boteco, cinema, teatro, corrida no parque se vc agüentar, museu (tem uma exposição bem legal da Tarsila que gostaria de ver) ou pode ser até mesmo um acústico Lena.
Ei, tive que me comportar muito ontem para não assustar vc... mas a minha idéia inicial quando estava com o gelo na mão foi destinar todos eles para vc... viu só como já sei me comportar como gente grande de vez em quando... afinal de contas já estou com 13 aninhos e já sou o hominho da casa...
Estava me esquecendo de outro detalhe... vc foi embora muito cedo, a primeira a me abandonar... snif...
Como sei que vc não vai perguntar, os integrantes da família tijolo que foram atropelados no final de semana já passam bem e estão voltando as suas atividades corriqueiras. Mas como ficaram seqüelas, eles pediram uma aposentadoria parcial para o INST (Int. Nacional da Seguridade Tijolal).
Caso vc resolva não reparar os danos causados na tarde do dia 24/08/2008 com algumas das opções oferecidas, seria interessante procurar um bom advogado para tentar elaborar a sua defesa. Se bem que a melhor opção é sempre negociar com a outra parte (Eu neste caso).
Beijos
4.2.09
Tropeços
Sim, a sede. Eu tenho sede, urgente, pelas melhores coisas, além do meu próprio alcance, além da realidade, do possível já "descoberto" ou inventado. Sabem o que é ter essa sede desvairada e beber um copinho d´água vagabundo, meio sujo, meio feio, meio sem gosto, que não satisfaz a boca, que passa rápido demais pela garganta, que faz tudo errado e simplesmente não satisfaz? E um segundo depois, você quer mais, não por ter gostado, mas por ter achado aqueles breves segundos de degustação, de vivência, medíocres e você ainda tem SEDE, você quer MAIS, do que há de melhor para se beber, consumir, e, finalmente, agregar, do que há de melhor para se sentir os gostos na língua, na garganta, dentro da barriga, dentro da alma, para excitar ainda mais, para tocar a carne como se fosse divino, para ser definitva e grandemente BOM, para superar essa nojeira do meu corpo, essa carne podre que adoece e morre e ser deus, aos goles, ser "extra-humana", mesmo que por segundos, ser o melhor impossível, que possível tem muitos limites, é pobre, e eu não quero isso pra mim.
Eu sou uma perfeccionista, no maior e mais real sentido da palavra. E isso é sim um problema. Olhem o mundo, meus amigos, olhem essa copinho d´água vagabundo, de cor estranha, que desce ruim, esquisito como uma Fanta Morango, amargo. E "Afasta de mim esse cálice, pai", mas você tem sede, sede, muita sede, e você não beberia de uma poça d´água suja se não estivesse morrendo de sede, se não tivesse essa ansiedade, essa avidez, desde anos e anos, que você nem sabe quando bebeu pela última vez e se é que bebeu e quando essa sede toda começou... I can get no satisfaction.
Pelo conceito de que simplesmente as coisas perfeitas não existem (e eu sou a prova viva disso) eu vou ser uma eterna infeliz com essa minha sede que, proporcional a minha consciência da podridão de ser gente, de existir, bem aqui, nesse mundo injusto, feio, bobo, chato e cara de mamão, é enorme, não é humano, não pode ser. Eu não quero só ser sua amiga, eu quero ser o amor da sua vida, da vida de todo mundo. Eu quero ser foda. Quero ser a menina mais bonita, mais linda e apaixonante que você já viu. Quero ser a melhor transa da sua vida. Quero ser a sua esposa, mãe dos seus filhos. Eu quero que vocês chorem como se a vida toda tivesse acabado quando eu morrer. Eu quero deixar infinitas músicas, infinitos livros, infinitos filhos, amantes, todos contaminados com essa coisa maravilhosa que eu fui, sou e serei, pra sempre. Eu quero ser aquela foto, aquela frase, aquela melodia, que não sai da sua cabeça e você nunca, nunca irá se esquecer ou profanar. Eu quero viver pra sempre, na memória dos seus netos, bisnetos... Eu quero ser deliciosamente imortal, justamente pra compensar esse meu corpo frágil e amarelo, cheio de deficiências, disfunções, limites e mortalidade, pequenez.
Eu tenho a sede grande, exatamente por ser pequena, pobre, besta e mesmo assim, eu quero assustar vocês com a minha grandeza. Eu quero impor. Eu quero amor e respeito infinito. Eu quero seus corpos e suas almas entregadas a mim, para que eu viva, de vocês, devorando vocês, longamente. Eu quero voar e na maior velocidade, pra esquecer esse chão aqui, essa coisa presa nos meus pés (e não meus pés presos nele). Eu tenho uma sede gloriosa. E não, você não se indentifica comigo, você não sente a mesma coisa que eu sinto, você não é igual a mim... Porque eu sou grande, alta, tão grande que seus olhos mal alcançam aonde que meu corpo termina, aonde que começa o céu. Eu lembro até hoje, como se fosse hoje (e não é, para sempre?). Por ser a menina mais feia da escola, eu estudava, estudava, estudava, estudava, porque eu queria compensar a minha imensa feiura com uma imensa inteligência. Eu queria o reconhecimento do meu pai, dos professores, o ódio dos meus colegas. Eu queria deixar a todos de bocas abertas. E eu queria que meus professores se masturbassem exatamente pela menina mais feia que eles já viram, eu queria que eles me quisessem, eu queria ser amada por aqueles homens e aquelas mulheres, muito maiores e mais velhos que eu. E eu chorava se eu tirasse qualquer nota abaixo de nove, nove e meio. Eu ficava triste em não ganhar os consursos de redação, de desenho, em receber bronca. Eu ficava triste em não dar o primeiro beijo mais rápido que as outras meninas, e ver elas com os meninos que eu amava sem nem saber porquê. Pra compensar esta água suja, eu tenho essa sede.
Eu "descobri". Eu, na minha infinta pequenez e insignificância, sentada num consultório, numa sala, num prédio, numa rua, sabe se lá onde, com um psiquiatra me olhando, esperando eu falar, eu saber falar, e ultrapassar, contornar e enganar, meus próprios métodos, minha defesa, meu incosciente e aquele blablablá psicológico todo, para poder me desmitifcar e me explicar, explicar a minha existência, esta coisa aqui chamada Lena, pra explicar a minha tristeza, a minha preguiça, os meus remédios de tarja preta, meu choro compulsivo, minha risada falsa, a minha sede... E, agora, eu "descobri". Descobri qual o meu problema, o que me movimenta, os meus motivos, o porque de eu me apaixonar por pessoas que parecem ser "mágicas" e segundos depois, me frustrar, querer me esquecer delas, porque elas não eram tudo aquilo, elas não eram perfeitas e maravilhosas como só eu queria ser, o porque de eu desistir de tudo, por não querer tentar, porque eu quero a perfeição e se ela é impossível de atingir, eu não quero nada. Nada. "Descobri" a minha sede. E como matá-la ou esquecê-la? Eu ainda não tropecei nisso...
28.11.08
Furto honesto


Pra falar a verdade, eu não sabia da existência deste dia, não achei que de fato, ele iria chegar, sem tristeza no olhar, sem arrependimentos nas mãos, num sorriso que se fosse falso, seria bem quisto, e num paladar simples de quem se alimenta pra sobreviver ao ócio, a notícia chega perdida, sem significado algum pra quem emiti, matando a esperança de quem recebe.
Um dia me contaram que a esperança é a última que morre, e eu achei que ela fosse morrer com meu último suspiro, mas não, ela se foi, e me deixou todo o ar contaminado para ainda viver na incerteza do tempo, sem um pingo de fé para acreditar na sua ressureição, a ação dos ventos podem trazer tudo, o que ainda pode ressurgir, mas o que morre, não vaga por aí sem data de retorno, some da memória, esvazia o coração, cala na solidão do frio, o que a noite quer chamar de imensidão, o que o sonho gosta de tratar como ilusão, o que a paz aconchega, no abraço de um irmão, sem muitas mãos para afagar o seu rosto, sem muitos momentos para intensificar o seu dia, sem muita glória para te libertar de uma sina, sem qualquer esperança, para encarar a vida.
Você poderia ter feito, poderia não estar ausente quando, poderia acordar sem muito espanto, poderia perguntar o que estava acontecendo, mas você nem sabe direito o que estava fazendo, você se embebedou para tentar suportar o que estava lento, e agora tudo te ultrapassou, você ficou ultrapassado, caiu no chão e nem foi mastigado, levantou gastando tudo o que restava de esforço, se pendurou no pescoço daquele que ainda te dá alguma chance, a chance de continuar onde está, de caminhar e sempre parar no mesmo lugar, de nem sequer dançar ao som estupefante que sangra nos ouvidos, e estar na dúvida de todas as direções que se apresentam, você gostaria tanto de esperar, mas agora, não tem este direito, o tempo que te restava pra sonhar, se matou com as possibilidades que quiseram te amar.
Agora resta apenas uma pequena confusão, agora resta uma dor que não é digna de multidão, uma hora ela passa e te coloca em algum ponto pra continuar, não é preciso recomeçar, escolha apenas um outro ponto pra tentar superar, talvez uma vitória equivocada aponte no placar, talvez na sorte ou de forma súbita ainda reste com quem jogar, porque ameaçar, provocar o que pertence apenas a ti, e se encantar, o que hoje apenas eles conseguem, não vai fazer falta quando você ganhar, se você não acreditar mais em coisas que poderiam se realizar, acredite nas realizações que já se foram, e nas coisas que isso pode gerar, já te roubaram agora pouco o que você nem ao menos ousou pegar, destruíram parte de ti que ainda nem havia se apoderado de você, e tantas outras coisas brilham, querendo te exaltar, se a gaveta onde estava guardada aquela coisa sagrada não só deixou de existir chave, como partiu com quem a quis levar, tantas outras coisas estão soltas por aí, apenas aguardando você agarrar, pois a esperança que você talvez sustentou, realmente morreu, mas uma coisa melhor ou similar, ainda arrisca vida, em algum outro lugar ... acima do que era pra seu seu, e acabou por não te encontrar.
por mano maya kosha em http://mano-maya-kosha.blogspot.com/2008/11/reconquistando-um-pedao-do-cu.html
31.7.08

Fomos ao teatro, assistir a um show... violão e percussão...
Já na entrada, ingressos em cadeiras espalhadas,
Eu digo "Ai..."
E então ele pergunta:
No meio do show,
Só tem um jeito de saber
Cochicho qualquer coisa no ouvido
Beijo de gato que chega pedindo carinho
E recomeça
Eu sorrio (quase que inocentemente)
O cantor olha para o percussionista
E canta, como se não tivesse visto nada.
1.7.08
Saudades
Daquela ânsia por chamar a atenção de um certo alguém
Daquela admiração toda pelo menino que escrevia tão lindo [e ainda escreve...]
Do acreditar que eu podia impressionar pelas palavras
Da coragem de dizer as coisas
De inventar personagens
De experimentar discursos e estilos diferentes
De andar pela biblioteca me sentindo a dona do mundo
De sair de lá com uma pilha de livros que eu devorava no prazo para a devolução
De renovar o empréstimo pra ler tudo de novo
Do frio na barriga que antecedia cada visita
Da alegria que quase não cabia em mim quando chegavam os comentários
De ver aqueles codi[nomes] ali, no meu espaço...
Daquela aura mágica que parecia envolver pessoas tão especiais
Daquele medo de não parecer tão boa e tão digna de conviver com elas
Da humildade que ficou esquecida... mas que não sufocava
Da sensação de crescimento... das noites sem sono...
Dos sonhos em que eu trabalhava textos inteiros pra lembrar só metade ao acordar...
Das tardes perdidas nos computadores da faculdade... só para pensar no que escrever.
E de um jeito eu conseguia
O mundo parecia meu.
E ao reler todos os arquivos... ah... que saudades!
É o perfume.
Aquele que não sai... e que marcou minha história.
(Bjo no queixo, Preto)
10.6.08
Porque eu adoro as coisas que ela escreve...
Ah... é isso!
Lá vai:
(17.5.04)
- De quem é essa perna? E esse braço? Tá tudo tão entrelaçado.
- Peraí, levanta aqui um pouco pra eu poder coçar meu pé. Me ajuda aqui. Isso, ai que bom!
- Meu braço travesseiro tá meio dormente...
- Se quiser, põe pro outro lado pra descansar. Peraí que tá puxando meu cabelo, ai. Pronto. Xô colocar meu cabelo pra cima, assim você não puxa mais.
- Mas seu cabelo tá fazendo cócegas no meu nariz!
- Ai jisuix, calmaê. Assim tá legal?
- Tá, ficou ótimo.
- E esse meu braço que tá sobrando? De vez em quando imagino como seria ótimo se os braços fossem encaixáveis e removíveis - esse que fica embaixo, não sei se ponho pra trás ou pra frente, mas pra frente fica muito tronxo! Achei! Assim tá maravilhoso. Ih, caiu o edredon, e agora?
- Putz, vamos ver se a gente pega - estica a mão aí, tá quase, hhhrrrrrrrrr, deu. Mas põe ele pra lá.
- Você tá com calor? Eu tou com frio!
- Ah, eu te esquento, não vamos nos cobrir não, please!
- Mas eu gosto tanto de ficar coberta... Tá, tudo bem, então me esquenta muito.
Pô, mas se você me apertar assim eu fico sem ar!
- Meroiô?
- Assim tá bem melhor.
- Chega um pouco pra lá que eu tou na beira da cama.
Agora sim. Hmmm, essa posição tá perfeita: não se mexa!
- Mas agora eu quero fazer xixi...
4.6.08
Numa noite dessas, tive uma crise de choro
Desatei num pranto deslavado, descarado e desarrazoado
Parei na frente do espelho e me disse:
_Páre com isso, menina! Vá tomar banho!
E fui.
Tomei aquele banho demorado,
gostoso, com a água quase fervendo.
Lavei os cabelos e usei bastante condicionador.
E depois fiquei uns quarenta minutos passando hidratante.
Já vestida, sentei no sofá com aquela embalagem de creme na mão e li:
"hidrata e desodoriza todos os tipos de pele,
especialmente as mais delicadas"...
Agora, me pergunto: que criatura compraria um hidratante
que contivesse a inscrição "hidrata e desodoriza todos os tipos
de pele, especialmente as mais GROSSEIRAS" ???
Eu não compraria um hidratante para "pele grosseira".
Acho que não admitiria isso nem que ela fosse igual a couro de jacaré.
Mas, venhamos e convenhamos, só um bebê tem a pele realmente delicada e,
ele não precisa de hidratante.
Empolgada com a divagação, li na embalagem do creme para pentear:
"Nutre e alisa cabelos soltos e disciplinados"
E mais dúvidas...
Para usar esse creme eu preciso ter cabelos soltos e disciplinados
ou eles ficarão assim depois que eu usar?
*Fotografia de Wilhelm Leisten
2.5.08
Piegas
antes de mais nada
enquanto familiares inconsoláveis
bebiam da fonte inesgotável
que era também a voz rouca das ruas
líderes carismáticos trocaram figurinhas
do Oiapoque ao Chuí, gerando polêmica
até chegar a um denominador comum
foi necessário detonar um processo
com a mais avançada tecnologia
a todo o vapor, para aparar as arestas
duramente criticadas na vida real
mas a pergunta que não quer calar é:
Como é que em meio àquela usina de idéias
extrapolam-se limites cegando-separa o óbvio ululante?
só sei que nos quatro cantos do mundo
corações e mentes inseridos no contexto
foram traídos pela emoção
depois de um pavoroso incêndio
e com escoriações generalizadas
enxergaram uma luz no fim do túnel
e com sucesso retumbante
seguiram no caminho já trilhado
catapultados numa carreira meteórica
em meio à inflação galopante do país
e, literalmente tomados por requintes de crueldade,
atiraram farpas no considerado sal da terra,
fazendo dele vítima fatal
um erro gritante
com direito a estrepitosa vaia
sucessora do silêncio sepulcral
pela quebra de protocolo
Deixando, profundamente consternados,
a lembrança de um suspiro aliviado.
Formigas
Há alguns dias, reparei em cima da pia da cozinha um copo de vidro, desses de massa de tomates, que na noite anterior tinha sido ocupado com café; estava com aquele insistente resto de açúcar cristalizado e, adivinhe! Pretinho de formigas! Em uma pasta escura e movediça sobre o fundo.
28.4.08
...
Ouviu tudo, de todos, calada, sem já nem entender os significados, se era "eu te amo" ou "eu te odeio", se era vital ou desprezível, se distraía tanto a ponto de desaprender a própria língua, achando engraçado os sons que saiam da boca das pessoas e percebendo que elas não paravam para respirar nunca, afobados, eles não páram, mesmo quando haveria uma vírgula, que eles sequer saberiam da existência das vírgulas, e isso não se faz.
Cansou-se. Eles cansaram. Depois de terem se despejado, entregado todos os seus pertences (que nem sempre eram valiosos), jogando tudo naquele rosto entediado, sobre aquele copo cansado de ouvir tanta verdade e besteira, tudo junto, sem piedade sequer das vírgulas.
Quiseram dar a vez de falar a ela. Suspirou. Como descrever o processo penoso e desgastante de promover sinais nervosos, sinapses, e movimentar os músculos do rosto, as cordas vocais? Parecia algum monstro mecânico velho, se ruindo para se movimentar. E respondeu num ruído estridente que de longe lembrava uma voz "nada, deixa pra lá..."
24.4.08
Especulações... ?!
Outras precisam desenvolver tais qualidade ao longo de um caminho intenso de auto-conhecimento. Necessitam identificar que condutas lhes faltam e quais precisam controlar. Muitas vezes um inclinar de cabeça, uma respiração adequada ou um modo de vestir são suficientes. Outras tantas causas podem estar escondidas no labirinto das memórias inconscientes. Um acontecimento passado, uma crítica mal feita ou mal recebida... podem ser gotas tão pequenas aos olhos de um interlocutor qualquer, mas que naquele exato momento em que foram vividas, atuaram como veneno, apagando registros de autoconfiança e auto-imagem dessa pobre alma. É preciso então, um trabalho de resgate, principalmente daquela parcela de auto-estima que foi abalada; como se relembrássemos uma história há muito esquecida no fundo de uma caixa velha. Remexer fatos, experiências, acontecimentos corriqueiros, um cotidiano de outrora... para que se possa, novamente, aprende a lição que a vida nos transmite de graça.
Tem gente que prefere seguir permanentemente por um atalho, adotando uma figura que não corresponde à sua verdadeira identidade. Essa gente acaba ostentando o que não é. Sem, não raras vezes, perceber que, toda ostentação é inútil, porque qualquer criatura instruída, depois de ouvi-la por poucos minutos, a julgará tal qual é. Atitudes assim, só devem ser tomadas em casos de extrema necessidade e em caráter iminentemente provisório, passageiro.
Há que se promover, com todas as energias disponíveis, a aproximação do que se almeja ser, a imagem que queremos que os outros tenham de nós, com aquela imagem real do que somos, a verdadeira imagem que as pessoas nos atribuem. E isso nada mais é do que a gestão do marketing pessoal. Contudo, é preciso cuidar das palavras ditas, pois a confiança em si mesmo é algo que nunca deve ser proclamado ou anunciado, exceto por meio da realização de feitos construtivos.
É desconfortável admitir, em um mar de exigências e cobranças, que os outros só acreditam em nós quando vêem que temos autoconfiança. Grande parte do sofrimento seria amenizada se a própria pessoa se permitisse falhar com menos remorsos.
***
Hoje pela manhã, enquanto a água do banho escorria pelo todo da minha cabeça, lavando um restinho de sono, lembrei de um pequeno livro de poesias que ganhei de aniversário, aos doze anos. No verso da primeira página estava escrito: “Se destruirmos os sonhos no coração de um homem, tê-lo-emos destruído também”...
(2005)
19.4.08
Vingança
_Quê foi? Quê cê tem aí?
_Chega mais. Vem aqui de trás, ó. - Puxa do bolso, desembrulha a camisa que cobre o trabuco.
_Quê isso, mermão? Cê tá doido? Onde cê arranjô isso?
_Fala baixo, mané. Num vou te matar, não . Eu sei o queu tô fazendo.
_Quê cê vai fazê com isso, cara? E se te pegam? Cê tá doido?
_Num pegam é nada. Ele num pode fazê o que fez, sem levá de volta, não...
_Qualé, cumpadi, deixa disso, já foi. Faz tempo.
_Já foi, o caralho. Ele vai vê só.
_Sossega, rapaiz. Vai acabá com a sua vida! Joga isso fora, meu!
_Cabá, já cabô faz tempo... Cabô minha paciência, minha cara de palhaço, estourô limite. Quem ele pensa que é?
_Mano, esquece. Tá vacilando. Vai arranjá treta pro teu lado. Num faiz isso, que cê se fode...
_Fudido eu já fui, gora é minha veiz.
_Num acredito que cê vai ter coragem. Cê tá maluco...
_Ele num teve coragem de fazê o que fez? Pois eu faço também. E faço agora!
Saiu de trás do muro, violento, cabreiro, que nem trem. Foi pro meio da rua, gritou o nome dele, mirou, e deu três tiros no céu, na maior nuvem que viu.
31.3.08
Iraniano é condenado a dar dote de 124 mil rosas à mulher
Um tribunal do Irã ordenou um homem a dar à sua esposa as 124 mil rosas que prometera como dote de casamento, depois que a mulher moveu uma ação judicial para receber as flores, de acordo com o jornal E'temad.
A mulher, identificada como Hengameh, disse que resolveu exigir o dote na Justiça porque seu "marido é muito avarento" e não paga sequer por um café, disse a reportagem.
O tribunal confiscou o apartamento do marido até que ele entregue as rosas à esposa, com quem é casado há dez anos.
Pelas leis iranianas, uma mulher pode reclamar o seu dote - ou mahr - a qualquer momento durante o casamento ou o processo de divórcio.
O dote se torna propriedade da esposa, que pode fazer com ele o que desejar.
A prática de dote é indispensável para validar o contrato de casamento.
'Amigas bilionárias'
De acordo com o E'temad, a mulher decidiu reclamar o dote inteiro para punir o marido.
"Pouco depois do casamento, eu percebi que Shahin era muito avarento", disse Hengameh ao jornal. "Ele até se recusava a pagar o meu café quando íamos a uma lanchonete ou restaurante."
Shahin disse no tribunal que só tinha poder aquisitivo para dar à esposa cinco rosas por dia e queixou-se que "amigas bilionárias da mulher puseram tais idéias na cabeça dela".
Mas o juiz rejeitou as alegações de Shahin e ordenou que o apartamento dele, no valor de US$ 64 mil, fosse confiscado até que ele trouxesse à esposa todas as flores.
Uma rosa de cabo longo custa cerca de US$ 2 na capital do Irã, Teerã.
É comum no Irã que sejam oferecidas moedas de ouro ou propriedades como dote. Um homem iraniano pode acabar na prisão por dever o dote.
http://www.jurid.com.br/new/jengine.exe/cpag?p=jornaldetalhejornal&ID=45338
27.3.08
Pensamentos sobre a derrota
Permita-me divagar um pouco sobre a derrota. De um jeito simples, a derrota é não alcançar o seu objetivo ou ter a sua expectatica e esforços frustrados. Para quê ela serve? Pode-se dizer que para nos ajudar a identificar nossos erros, falhas, deficiências, para apontar a nossa falta de preparo e até mesmo uma incapacidade para lidar com o resultado da nossa vontade inicial.
Contudo, o ponto decisivo se encontra na forma como lidamos com a derrota, uma vez que é o que determinará nossas ações posteriores, transformando-nos em potenciais vitoriosos ou não. Se a derrota que enfrentamos é tomada como definitiva e imutável, automaticamente nos reconhecemos incompetentes e não merecedores do resultado outrora esperado. Perdemos a chance de reparar nossos erros e crescer a partir deles. Por outro lado, quando consideramos que uma derrota se nos apresenta em caráter temporário, temos a oportunidade de assimilar melhor aquilo em que não acertamos e buscar soluções ou condutas mais favoráveis a nossos objetivos em tentativas posteriores.
Não raras vezes, antes de uma nova tentativa, precisamos esperar um certo tempo até prosseguir com nosso intento. É o tempo quem nos traz a serenidade necessária para lidar com o novo contexto, meios e variáveis.
Um vencedor precisa de autoconfiança e autocontrole para agir certo na hora mais apropriada; precisa de experiência, conhecimento e maturidade o bastante para entender que quando o seu objetivo (já delimitado) ainda não foi atingido, isso pode ser uma derrota definitiva ou temporária e essa classificação depende exclusivamente dele.
Pessoalmente falando, prefiro tratar minhas derrotas como se elas só acontecessem temporariamente, porque isso me encoraja a continuar lutando pelas coisas que quero. De todas as vezes que me lembro de ter pensado que determinada derrota foi permanente, tive a impressão de que a minha história voltou algumas casas no jogo da vida. Me senti incapaz de descobrir meus erros para ter a chance de aprender com eles. No lugar de uma evolução, joguei fora as lições e a bagagem para continuar. Me distanciei ainda mais da linha de chegada.